Tipos de Meditação



Tipos de Meditação

A palavra meditar vem do latim ''meditatum'', ou seja, ponderar ou cultivar. A meditação pode ser entendida como um conjunto de práticas de integração mente-corpo, de treino de regulação emocional e atencional desenvolvidos para diversos fins, incluindo o cultivo do bem-estar e equilíbrio emocional. Trata-se de treinar a mente, trabalhando os “maus” hábitos mentais e desenvolver e cultivar qualidades positivas que já estão presentes em nós.


Introdução

A meditação tem vindo a ser praticada há mais de três mil anos. As suas raízes remontam ao hinduísmo e formas de meditação podem ser encontradas em todas as grandes religiões. Cada vez mais, no ocidente, a meditação é uma experiência independente de qualquer crença religiosa. Enquanto que os estilos, as fontes e as ideologias subjacentes à meditação diferem, o seu objectivo tem sido mais ou menos uniforme: a transformação pessoal . Ou seja, aquele que entra numa prática de meditação não será o mesmo após a experiência continuada.
Embora a transformação pessoal seja a meta, a sua definição varia depende. Alguns consideram essa transformação como um veículo para unir-se com um poder maior, enquanto outros procuram benefícios físicos e mentais. Os Budistas, por exemplo, encaram a meditação como uma forma de acabar com o sofrimento neste mundo, ao permitir conhecer e perceber o mundo como ele inerentemente é.


Tipos de Meditação

Com cada vez mais estudos científicos sobre a meditação, surge a necessidade da sua definição e operacionalização. Davidson e Goleman (1977) criaram uma classificação em que as práticas de meditação pode ser divididas em :
Atenção -Focada (AF) e Monitorização Aberta (MA). Práticas AF são baseados na concentração da atenção sobre um determinado objecto externo, corporal ou mental, ignorando todos os estímulos irrelevantes. Ao contrário, as técnicas de MA tentam ampliar o foco de atenção a todas as sensações recebidas, emoções e pensamentos de momento a momento sem focar em qualquer um dos eles (Lutz, Slagter, Dunne, & Davidson, 2008). Diferentes escolas de meditação podem ser colocadas num contínuo entre estes dois pólos (Andersen, 2000; Wallace, 1999), e a maioria delas usam os dois tipos de práticas complementarmente.

Estas duas formas de meditação, AF e MA, correspondem a dois tipos de meditação preconizados pelo Budismo há mais de 2 mil anos e denomindas:

1. Shamatha,
que significa calma ou tranquilidade. É uma meditação baseada na concentração e corresponde à AF.

2. Vipassana/Insight,
que significa visão penetrante, ver para além. Corresponde à MA.

1. Na prática de Shamatha procura-se focalizar a atenção num único objecto ou suporte (por exemplo, a chama de uma vela ou um mantra). Embora qualquer suporte possa ser utilizado, dois objectos de focalização muito comuns são a respiração (anapanasati) e a bondade/amor (metta). Quando a atenção começa a divagar durante a prática é propositadamente trazida de volta para o objecto de foco, para o suporte. Com o tempo de prática, este "onepointedness" ou a capacidade de concentração no objecto, sem distracção, será cada vez maior. O progresso é feito quando o praticante torna-se menos vulnerável quer às distracções exteriores, tais como sons, bem como às distracções interiores, incluindo pensamentos, sentimentos ou sensações.

2. Na prática de Vipassana procura-se desenvolver sabedoria ou insight por isso também se denominda meditação de insight. A sua ferramenta básica é a prática de mindfulness, que tem sido traduzida como “Atenção Plena”. Pode ser perspectivada como uma prática baseada na experiência do momento presente, numa atitude aberta e não-julgadora. Vipassana distingue-se de Shamatha uma vez que o praticante concentra a sua consciência no momento presente, em vez de se concentrar num estímulo em particular. Não há rigidez da atenção num único estímulo. É possível praticar a atenção plena durante todo o dia, durante a execução das tarefas quotidianas, tais como comer, dirigir, lavar a louça, etc...

Ambos os tipos de meditação são fundamentais para o budismo, e são praticados regularmente por muitas milhares de pessoas .

AF/Shamatha e MA/Vipassana são duas faces da mesma moeda. AF/Shamatha dirige o poder da concentração. A concentração fornece o poder pelo qual a MA/Vipassana pode penetrar num nível mais profundo da mente. Estas duas formas de meditação devem ser cultivadas em conjunto numa proporção equilibrada. Demasiada consciência sem calma para equilibrá-la irá resultar num estado fortemente sensibilizado. Muita concentração, sem uma relação de equilíbrio de consciência, irá resultar em demasiado torpor ou sedação. Ambos devem ser evitados.



Referências Bibliográficas

Andersen, J. (2000). Meditation meets behavioural medicine: The story of experimental research on meditation. Journal of Consciousness Studies, 7, 17–73.

Davidson, R. J., & Goleman, D. J. (1977). The role of attention in meditation and hypnosis: A psychobiological perspective on transformations of consciousness. International Journal of Clinical and Experimental Hypnosis, 25, 291–308.

Lutz, A., Slagter, H. A., Dunne, J. D., & Davidson, R. (2008). Attention regulation and monitoring in meditation. Trends in Cognitive Sciences, 12, 163–169.

Wallace, B. A. (1999). The Buddhist tradition of Samatha: Methods for refining and examining consciousness. Journal of Consciousness Studies, 6, 175–187.

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