Mindfulness como base da Inteligência Emocional segundo a ciência

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É do conhecimento comum que a inteligência emocional pode ser um dos pilares do nosso sucesso enquanto pessoas plenas.

Mas o que é a inteligência emocional?

De forma simples a inteligência emocional é um conceito da Psicologia que descreve a capacidade de reconhecer e gerir não apenas os nossos próprios sentimentos/emoções, mas também os dos outros, assim como a capacidade de lidar com eles.

E como podemos treinar a inteligência emocional?

Simples, começando por treinar a nossa atenção. Isso pode parecer um pouco contra-intuitivo, pois o que é que a atenção tem a ver com as competências emocionais?

A resposta é simples: uma atenção forte, estável e perceptiva que aporta clareza é o eixo sobre o qual a inteligência emocional é construída. Por exemplo, a autoconsciência depende de sermos capazes de nos vermos objetivamente, e isso requer a capacidade de examinar os nossos pensamentos e as nossas emoções desde uma perspectiva “descentrada”, ou seja, não sermos arrastados pelo turbilhão de emoções e/ou de pensamentos, não nos identificando com estes fenómenos mentais, mas vendo-os de forma clara e objetiva. Isso requer uma atenção estável e clara, uma abertura curiosa para o que emerge, sem julgamentos.

Uma das mensagens mais importantes do livro inovador que popularizou o tópico da Inteligência Emocional –“Emotional Intelligence: Why It Can Matter More Than IQ”, escrito por Daniel Goleman, é que as competências emocionais não são talentos inatos; Elas são competências aprendidas. Por outras palavras, as competências emocionais são algo que pode adquirir deliberadamente com a prática.

Os índices de inteligência emocional podem ser aumentados, mesmo em adultos. Esta afirmação é baseada em experiências de "neuroplasticidade". A ideia é que o que pensamos, fazemos e prestamos atenção altera a estrutura e a função dos nossos cérebros.

De Mindfulness para a Inteligência Emocional
A abordagem que preconizamos para cultivar a inteligência emocional começa com mindfulness. Usamos mindfulness para treinar uma qualidade de atenção que é forte, tanto em clareza como em estabilidade. Dirigimos então esta atenção para os aspectos fisiológicos da emoção, para que possamos perceber a emoção com alta vivacidade e resolução. A capacidade de perceber a experiência emocional em “alta definição” constrói a base para a inteligência emocional.

Na literatura científica vários estudos têm demonstrado uma relação positiva entre mindfulness e inteligência emocional.

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Primeiro, a prática regular de Meditação Mindfulness (doravante denominada de MM) pode melhorar a capacidade de compreender as nossas próprias emoções (Brown, Ryan, & Creswell, 2007). Uma vez que o treino de meditação requer que os praticantes observem de perto os seus pensamentos e os sentimentos momento-a-momento, sem qualquer julgamento ou interferência, os praticantes tendem a desenvolver uma maior tendência a estarem cientes dos seus estados emocionais do que aquelas pessoas que não praticam. Esta conclusão é também apoiada por um estudo conduzido por Feldman, Hayes, Kumar, Greeson e Laurenceau (2007), que encontrou que o maiores índices de mindfulness estavam positivamente associados com maior clareza de sentimentos, atenção aos sentimentos e menor distracção.

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Em segundo lugar, as pessoas que praticam regularmente MM podem facilmente desenvolver a capacidade para detectar e compreender as emoções dos outros. Em particular, estar consciente permite às pessoas focalizar melhor a sua atenção na forma como as outras pessoas se estão a sentir (Brown et al., 2007), o que posteriormente os ajuda a decifrar as “pistas” emocionais dos outros com maior precisão (Krasner et al., 2009). Esta contribuição é apoiada por um estudo conduzido por Shapiro, Schwartz e Bonner (1998), que constatou que os participantes do programa MM tendem a pontuar mais alto na medida geral da empatia auto-relatada. Um estudo de Brown e Kasser (2005) também descobriu que o nível de atenção mental tendia a associar-se positivamente a um maior sentimento de parentesco e proximidade interpessoal.

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Terceiro, a prática regular de MM pode aumentar significativamente a capacidade de regularmos e “controlarmos” as nossas emoções (Cahn & Polich, 2006). Em particular, Feldman et al. (2007) descobriram que as pessoas com um nível índices mais elevados de mindfulness tendiam a recuperar rapidamente de sofrimento emocional comparadas com aquelas com níveis mais baixos de mindfulness. Além disso, outros estudos descobriram que praticar MM poderia aumentar a capacidade meta-cognitiva (Zeidan, Johnson, Diamond, David, & Goolkasian, 2010), que é considerada uma capacidade cognitiva elevada e que permite às pessoas monitorizarem e “controlarem” os seus pensamentos (Flavell, 1987).

Na literatura sobre a inteligência emocional, essa competência meta-cognitiva foi proposta como uma competência crucial para as pessoas regularem efetivamente as suas emoções (Mayer et al., 2000; Salovey & Mayer, 1990).

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Finalmente, a prática regular de MM também pode permitir que as pessoas usem eficazmente as suas emoções. A qualidade de estar consciente das suas próprias emoções, tanto negativas quanto positivas permite focalizar apropriadamente uma tarefa que pode ser melhor realizada quando uma emoção específica emerge; e evitar executar uma tarefa que não pode ser bem realizada sob tal emoção (Averill, Chon, & Hahn, 2001).

Concluíndo

A conclusão é simples: mindfulness é uma base valiosa para a inteligência emocional. Os meditadores encontram muitos benefícios relacionados com um estilo de vida mais consciente, maior aceitação e maior resiliência ao stress. Eles também descobrem pela prática de mindfulness, formal e informal, um caminho para melhorar a qualidade das suas vidas, desenvolvendo uma maior auto-consciência e maiores índices de inteligência emocional, consciência social, auto-gestão e gestão de relacionamentos.

O que espera para começar a praticar?

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Fundador e Presidente da Sociedade Portuguesa de Meditação e Bem-Estar | Mindfulness Institute Psicólogo, doutorado em Psicologia da Saúde pela Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto. Tem trabalhado na investigação,teórica e empírica, centrada nos determinantes da felicidade. Tem desenvolvido a sua actividade profissional como psicólogo escolar e psicoterapeuta. Tem forte interesse no funcionamento psicológico positivo, onde descobriu o valor fundacional das práticas contemplativas, como a abordagem Mindfulness e o Yoga, entre outras. Nos últimos 15 anos tem praticado diferentes formas de Meditação e de Yoga com instrutores nacionais e internacionais. Editor principal da revista da Sociedade Portuguesa de Meditação e Bem-Estar – Mindfulness Institute.